Homeopatia

Os Pilares da Homeopatia

Para sustentar uma teoria tão revolucionária e tão ousada para época (e até mesmo para os dias de hoje), a Homeopatia tinha que se basear em teorias irrefutáveis e de comprovação indiscutível.

Assim foi e Hahnemann, por sua capacidade mas também por estar no momento certo, no lugar certo, foi capaz de, através de seu aguçado instinto de observação e alto poder de análise e objetividade, elaborar as explicações sobre a Homeopatia, apoiando-se em 4 seguros sustentáculos: Os 4 Pilares da Homeopatia.

Lei da semelhança

Este pilar foi "construído" desde a época de Hipócrates, o Pai da Medicina (460 – 377 a.C), quando ele afirmava que o semelhante curava o semelhante ("O que provoca a estrangúria que não existe, cura a estrangúria que existe").

Hahnemann traduzia a Matéria Médica de Cullen (médico escocês) quando leu sua explicação sobre a ação do quinino no tratamento da malária. Esta ação terapêutica da China officinalis (quinino) sobre a febre intermitente ou Malária, era justificada por estímulo do amargor e adstringência de substâncias no estômago com essa propriedade. 

Hahnemann achou que não havia lógica, e, formulando hipóteses científicas, descritas no seu "Ensaio sobre um novo Princípio para descobrir o Poder Curativo das Drogas", chegou à conclusão de que a melhor maneira de testar as virtudes medicinais da Quina seria experimentá-la no corpo humano. 

Hahnemann resolveu tomar ele mesmo a droga, depois experimentou em seus familiares, produzindo o mesmo quadro geral invariavelmente e concluiu que havia um princípio: similia similibus curentur (O semelhante cura o semelhante). 

Entre os textos que eu li sobre o assunto, dois merecem atenção para explicar melhor esta questão: 

Uma imagem criada pelo homeopata americano Dr. Herbert A. Roberts. Imaginemos um trem, representando a enfermidade, que corre a uma determinada velocidade. Para aniquilar essa enfermidade podemos enviar um trem em sentido contrário (medicamento alopático), ou podemos modificá-la enviando um trem no mesmo sentido (medicamento homeopático), mas numa velocidade maior e que, após encontrá-lo, imprime ao conjunto uma nova velocidade. É assim que age o medicamento homeopático: imprime à Energia Vital um padrão vibratório semelhante e mais forte que o preexistente

O outro é de uma aula que assisti, ministrada pela Dra. Ana Elisa Padula, cirurgiã-dentista homeopata, no Curso de Homeopatia de Jundiaí, coordenado pelo Prof. Ubiratan Adler, quando ela disse o seguinte: 

O princípio da similitude já está implícito à própria denominação da Homeopatia, uma vez que a palavra HOMEOPATIA criada por Hahnemann , tem sua raiz no idioma grego (Homoios = semelhante, da mesma natureza e Páthos = dor ou sofrimento). 

Hahnemann descreve no Organon,parágrafo 26, que há na natureza uma interferência de energias semelhantes, uma lei homeopática da natureza ("Como pode o luminoso Júpiter desaparecer do olhar do observador no crepúsculo matutino?....."), enunciando então que: 
"Uma afecção dinâmica mais fraca é extinta de maneira duradoura no organismo vivo por outra mais forte quando esta (de espécie diferente) seja muito semelhante àquela em sua manifestação".

E, mais adiante: 

De fato, até os dias de hoje aceita-se que "Vírus homólogos competem pelos mesmos receptores e mecanismos celulares, resultando da extinção da virose que estiver em multiplicidade inferior".

Experimentação em homem são e sensível

Como já foi visto no Pilar anterior (Lei da semelhança), Hahnemann experimentou em si e em seus familiares o uso da China (assim como fez posteriormente inúmeras vezes com outros medicamentos e um grupo de colaboradores para a experimentação). Para fazer parte deste grupo, havia alguns pré-requisitos a serem preenchidos. Não era muito fácil, mas seriam pessoas gozando de boa saúde, sem preconceitos, sem doenças crônicas, de ambos os sexos, utilizando uma substância de cada vez, com regime de vida razoavelmente controlado.

A experimentação no sadio é necessária para se obter apenas os sintomas produzidos pelo medicamento e não uma mistura com os sintomas de qualquer doença pré-existente.

A experimentação é realizadas pela administração de uma determinada substância a um grupo de indivíduos (chamados de experimentadores), considerados saudáveis após passarem por exames clínicos e laboratoriais, e que não sabem que substância estão experimentando. Em cada experimentação, os sintomas físicos, mentais, emocionais, as sensações e alterações no modo de ser e estar, de reagir e interagir com o meio que vão surgindo nos experimentadores, vão sendo cuidadosamente anotados e, posteriormente, classificados e analisados, dando origem ao que chamamos de Patogenesia (sintomas provocados pelo uso de medicamentos homeopáticos em indivíduos sadios e sensíveis).

Assim, fica mais fácil entender como é errado o conceito (meia-verdade) de que se o medicamento homeopático não faz bem, pelo menos mal ele não faz.

Hahnemann experimentou em si, em familiares e grupo de experimentadores cerca de 100 medicamentos.

Doses mínimas

No início, Hahnemann fazia suas experimentações com substâncias venenosas e tóxicas, baseado no que ele havia lido sobre intoxicações e envenenamentos. Ficou claro, muito rapidamente, que ele deveria diluir os medicamentos para que não tivesse os seus efeitos tóxicos e sim o teste de seus poderes curativos.

Assim, Hahnemann passa a diluir as substâncias e observa, mesmo com doses muito pequenas, um aumento no seu poder medicamentoso, mesmo em substâncias consideradas inócuas do ponto de vista toxicológico.

Passou então a empreender uma nova forma de despertar o poder medicamentoso destas substâncias, sucussionando-as (agitação vigorosa da mistura batendo-a contra um anteparo semi-rígido). E quanto mais ele diluia, e quanto mais ele sucussionava, mais ele via crescerem os poderes medicamentosos destas substâncias (mais dinamizadas elas ficavam).

No início de seus experimentos, Hahnemann usava substâncias diluídas mas ainda contendo matéria. Percebeu que ainda assim apareciam sinais de reações indesejáveis e agravações sérias. Quanto maior o número de diluições e de sucussões, melhores eram os resultados terapêuticos e menores os efeitos indesejáveis. E assim Hahnemann chegou às doses infinitesimais (ultradiluídas) e dinamizadas.

E para surpreender mais ainda os seus contemporâneos, mostrava que não era a quantidade de substância que importava de fato e que, ao contrário, quanto menor a quantidade presente da substância e mais agitada ela fosse, maior o potencial de energia curativa presente naquela determinda substância.

Remédio único

Hahnemann atacou os médicos da época que usavam uma mistura de medicamentos para tratar seus doentes. Ele indicava um e apenas um medicamento que cobrisse a totalidade dos sintomas do paciente.

Se quando Hahnemann fazia uma experimentação ele obtinha um perfil das reações de um determinado tipo de paciente, quando este paciente o procurasse ele deveria adequar o medicamento que mais cobrisse os sintomas relatados pelo paciente. Um só.

Não foram feitas experimentações com misturas dos medicamentos. Assim, não podemos prever qual será a atuação destes medicamentos em conjunto e qual será a ação individual de cada medicamento em cada sintoma do paciente.

Se não houvesse um medicamento que cobrisse todos os sintomas relatados pelo paciente, Hahnemann usava aquele que mais se aproxiimava, o que cobrisse a maior parte dos sintomas.

E Hahnemann relata esta sua conclusão no Organon da Arte de Curar, parágrafos 169, 273 e 274 onde diz que: “É impossível prever como duas ou mais substâncias medicinais poderiam, conjugadas, mutuamente alterar e obstar ações de cada uma no organismo.”