30/03/2013
Na semana da Páscoa, não tem jeito: mesmo quem está determinado na dieta e academia acha impossível passar o feriadão sem dar aquela beliscada no ovo de chocolate. O problema é que muita gente desanda a comer colocando fé no regime que vai recomeçar na segunda-feira. Mas esse dia só chega quando todos os inúmeros ovos que a família ganhou de presente sejam todos devorados. E a culpa depois? Mas, olha que boa notícia: segundo especialistas, se consumido moderadamente, o chocolate pode ser um aliado da saúde.
Além da Páscoa, diretamente associada ao consumo do doce, em 31 de março é celebrado o Dia da Saúde e Nutrição. Para você consumir o doce consciente e sem culpas, o Tempo de Mulher reuniu dicas de diferentes especialistas que foram unânimes: o chocolate amargo, 70% cacau, é um dos aliados da saúde e da dieta. "Uma porção de cerca de 30g, correspondente a uma barra pequena de um chocolate 70% de cacau, tem o conteúdo de substâncias antioxidantes equivalente a uma maçã ou a uma taça de vinho tinto", indica Lara Natacci, nutricionista do programa Meu Prato Saudável, parceria do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, e do Hospital das Clínicas da USP.
"Por isso que o excesso do consumo de chocolate pode prejudicar a boa forma, mas não necessariamente é preciso eliminá-lo da dieta nesta Páscoa. Na verdade, os erros fatais são abandonar totalmente a rotina de exercícios nos feriados e atirar-se nos chocolates só porque malha", lembra o preparador físico da academia Settcoaching, Flávio Settanni.
No caso das crianças, é preciso controlar o consumo entre os pequenos. "Não sirva chocolate como sobremesa. Essa atitude aumenta o consumo calórico do dia, muitas vezes, interferindo na aceitação da refeição seguinte", lembra o pediatra Moises Chencinski. "Além disso, o excesso calórico desse alimento faz dele um dos principais responsáveis, tanto pela criação do hábito, quanto pela sua inadequação na composição do cardápio infantil adequado", finaliza.
Efeito antioxidante = O chocolate inibe a oxidação das células, ou seja, bloqueia os efeitos dos radicais livres que podem danificar células sadias do nosso corpo. O médico da equipe de nutrologia do Hospital Villa-Lobos, André Veinert, lembra que o alimento pode ser incluído em várias receitas, mas com cuidado. “Geralmente elas são complexas e carregadas de açúcar. A partir desse momento, o valor antioxidante do chocolate não fica mais em evidência”, adverte.
Substâncias benéficas = Entre tantas estão as aminas biogênicas (que modulam o humor, melhorando a sensação de bem estar e felicidade), as metilxantinas, cafeína e teobromina (substâncias estimulantes), anadamina (provoca efeito de euforia), magnésio (ajuda a melhorar o ânimo, pois regula as concentrações de dopamina no cérebro), carboidratos (aumentam a formação da serotonina, substância que dá sensação de bem estar) e os lipídeos (aumentam a saciedade)”, explica a nutricionista do programa Meu Prato Saudável, parceria do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital das Clínicas da USP, Lara Natacci.
Quantidade = A melhor maneira de consumo é em forma de barras ou bombons e moderadamente. “A dose diária deve ser de cerca de 25g, o que equivale a aproximadamente quatro quadradinhos, isso desde que combinados a uma alimentação e estilo de vida saudáveis”, lembra dr. André Veinert.
Chocolate X Vício = Segundo dr. André Veinert, a ideia de que o alimento vicia não é verdadeira. “Chocolate não cria dependência química. Existem pessoas, chamadas "chocólatras" que têm necessidade de consumir mais chocolate que outras, mas não podemos considerar um vício e, sim, um desejo”, diz.
Ao leite = “O chocolate ao leite possui maior teor de gordura e açúcar,” lembra dr. André Veinert.
Amargo (70% cacau ou mais) = "O chocolate amargo é a melhor opção pelo alto teor de cacau, possui maior concentração de vitaminas, ácido fólico, magnésio, cobre, potássio, zinco, cálcio e manganês. Além disso, há maior presença de antioxidantes, conhecidos como flavonoides, que combatem os radicais livres," explica André Veinert.
"O chocolate amargo é o mais saudável. Pesquisas científicas mostram que o amargo protege o coração, ajuda a prevenir o diabetes do tipo 2, reforça as defesas do corpo e ainda auxilia no controle do apetite, devido a alta concentração de cacau. Para completar, melhora o humor das pessoas", lembra Mauro Scharf, endocrinologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica.
"Uma porção de cerca de 30g, correspondente a uma barra pequena do chocolate com 70% de cacau, tem o conteúdo de substâncias antioxidantes equivalente a uma maçã ou a uma taça de vinho tinto", indica a nutricionista do programa Meu Prato Saudável, parceria do Instituto do Coração (InCor) e do Hospital das Clínicas da USP, Lara Natacci.
Branco = "É o menos recomendado para consumo diário por ser rico em gordura saturada e não possuir massa de cacau em sua composição," comenta o nutrólogo André Veinert.
Diabéticos = “O paciente diabético deve consumir chocolates com menor teor de açúcar em sua composição, dando preferência ao diet e em alguns casos o amargo, com 70, 80 ou 90% cacau, orienta André Veinert. Pacientes com diabete descontrolada devem evitar quaisquer tipos de chocolate antes de equilibrar a taxa de glicose no sangue”.
Gastrite = “Pessoas que sofrem de gastrite ou possuem pré-disposição para a doença devem evitar o consumo excessivo”, orienta André Veinert.
Restrição alimentar = Para quem tem diabetes ou intolerância a glúten e lactose, os chocolates de soja e alfarroba são os mais indicados, segundo o médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), doutor Durval Ribas Filho. “Não é preciso restringir totalmente desde que sejam consumidos com cuidado e atenção, respeitando as necessidades individuais de cada organismo. Os chocolates com menos gordura, carboidratos e açúcar são a melhor maneira de conciliar saúde e satisfação”. Veja dicas do especialista:
- Chocolate de alfarroba – Possui sabor semelhante ao amargo, mas com quantidade de calorias inferior e um menor teor de gordura. A alfarroba é uma vagem que, triturada e torrificada, resulta em uma farinha, utilizada para substituir o cacau. É, ainda, isento de lactose e glúten, por isso pode ser consumido por pessoas com intolerância a essas substâncias.
- Chocolate de soja – É produzido com extrato de soja 100% vegetal e sem adição de lactose. Além disso, possui quantidade insignificante de sódio, o principal responsável pela retenção de líquidos. As proteínas da soja também propiciam uma sensação de saciedade maior.
O chocolate também tornou-se produto importante para a estética. A nutricionista do programa de saúde alimentar Viva Melhor da Risa Restaurantes Empresariais, Danielle Santos Nascimento, dá dicas de uso do produto:
Ponto positivo = “Dentro da estética, utiliza-se a polpa do cacau, que oferece substâncias como retinol, ácido ascórbico e vitaminas A, B1, B2 e B3. O ácido provoca uma leve esfoliação, suavizando as linhas de expressão e eliminando as células mortas. Além disso, a utilização da polpa em máscaras restaura a umidade e a oxigenação da pele”, explica Danielle.
Ponto negativo = A nutricionista afirma que a ingestão do doce com baixo teor de cacau e alto teor de gorduras pode destruir qualquer tipo de pele. “O chocolate vem das amêndoas da fruta do cacau, então o ganho de consumí-lo está diretamente ligado aos benefícios presentes no cacau. Portanto, quanto maior a quantidade de cacau na composição do chocolate, maior será seu benefício à saúde”, completa Danielle.
O excesso do consumo de chocolate pode prejudicar a boa forma, mas não necessariamente é preciso eliminá-lo da sua dieta nesta Páscoa. Veja dicas para consumir o doce sem culpa:
Sabor e tamanho = “Evite os ovos de Páscoa de sabores e recheios variados. A melhor opção são os chocolates ao leite. Escolha os ovos de páscoa menores, porque assim já evita-se possíveis excessos”, recomenda a nutricionista do Centro de Bem-Estar e Fisioterapia Levitas, Andreia Gonzalez Barbeiro.
Controle da alimentação = “Outra dica para poder equilibrar a alimentação pós-feriado é controlar as próximas refeições. Prefira alimentos mais leves e com fontes de proteínas, como legumes e verduras. Já os carboidratos podem ser evitados para ajudar a amenizar os ganhos extras de caloria. Mas atenção, os carboidratos não devem ser excluídos a longo prazo do cardápio, somente devem ser suspensos para auxiliar na perda de peso”, alerta a nutricionista Andreia Gonzalez Barbeiro.
Mantenha os exercícios = “O primeiro grande erro das pessoas é abandonar totalmente a rotina de exercícios nos feriados. Lembre-se que não está de férias, apenas relaxando por um ou dois dias e se não fizer nada para equilibrar a comilança e os drinks a mais tenha certeza que vai aumentar peso ', lembra o preparador físico da academia Settcoaching, Flávio Settanni.
Evite exageros = “Atirar-se nos chocolates só porque malha é outro erro. Experimentar um pedaço não faz mal a ninguém, mas mergulhar nos ovos só irá frustrar. Ainda mais após dois dias, pois esse é o tempo para que a overdose de chocolate com açúcar mostre seu contragolpe e destrua seu empenho em emagrecer e mudar seu corpo”, alerta o preparador físico Flávio Settanni.
Chocolate diet = “Nada de substituir por chocolate diet e achar que assim pode se esbaldar. O valor calórico de ambos é similar, portanto, apesar de haver uma vantagem metabólica para o diet, comer sem limite joga seu programa de emagrecimento no lixo”, reforça o preparador físico Flávio Settanni.
Consumo X Gasto calórico = “É importante que se tenha a consciência do equilíbrio entre o consumo e o gasto calórico, o que não significa aumentar os exercícios do dia para noite. As séries devem aumentar em tempo e intensidade gradativamente. “Precisa ter foco e planejamento, porque não existe milagre. Uma série de exercícios programada e sistemática é bem mais segura, além de proporcionar resultados melhores ao longo do tempo”, ensina Jessica Miato, instrutora de ginásticas coletivas da BodyTech Campinas.
Exercícios indicados = De acordo com a instrutora Jessica Miato, entre os exercícios indicados para perder as calorias extras estão a corrida, natação, power jump e bicicleta indoor.
Ofereça pouco chocolate as crianças = Segundo o pediatra Moises Chencinski, o melhor é não oferecer mais que um ovo de Páscoa para a meninada. “Se a criança teve seu aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, estendido até dois anos ou mais, a introdução da alimentação complementar feita de forma adequada e, principalmente, se os hábitos da família são saudáveis, as chances de essa criança se satisfazer com um ovo de tamanho aceitável é grande. Além disso, é preciso lembrar que a Páscoa costuma ser uma época na qual muitas crianças comem chocolate pela primeira vez. Com isso, é grande a incidência de alergias e intolerâncias alimentares”.
Evite servir como sobremesa = “É um erro associar o chocolate ao hábito da sobremesa, substituindo o consumo de frutas (3 a 5 porções ao dia para crianças) ou ao hábito de ‘beliscar entre as refeições’. Essas atitudes aumentam o consumo calórico do dia, muitas vezes, interferindo na aceitação da refeição seguinte”, lembra o pediatra Moises Chencinski.
Evite dar chocolate a menores de 1 ano = “Em sua fórmula, o chocolate tem cerca de 10% de proteínas, 30% de gordura e 60% de carboidratos. O excesso calórico desse alimento faz dele um dos principais responsáveis, tanto pela criação do hábito, quanto pela sua inadequação na composição do cardápio infantil adequado“, orienta o pediatra o Moises Chencinski.
Dr. Moises Chencinski - CRM-SP 36.349 - PEDIATRIA - RQE Nº 37546 / HOMEOPATIA - RQE Nº 37545