27/05/2013
Provavelmente, uma criança terá muito mais resfriados ou infecções das vias respiratórias superiores do que qualquer outra doença durante a infância. Nos primeiros dois anos de vida, a maioria das crianças pode ter entre oito e dez resfriados por ano. E se a criança está na creche, ou se houver outras crianças mais velhas, em idade escolar, na mesma casa, o número de resfriados pode aumentar ainda mais, pois as constipações se espalham facilmente entre as crianças que estão em contato próximo com outras.
“Essa é a má notícia que traz consigo uma boa notícia também: a maioria dos resfriados desaparece por si só, sem provocar danos ou doenças mais sérias. No entanto, mais da metade das crianças atendidas em função de um resfriado comum recebe a prescrição de antimicrobianos. A terapia antimicrobiana desnecessária pode ser evitada através do reconhecimento dos sinais e dos sintomas que são parte do curso habitual dos resfriados”, explica o pediatra Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).
Uma pesquisa da Universidade de Michigan divulgada recentemente confirma esta teoria e revela que mais de 40% dos pais relatam dar aos seus filhos menores de idade medicamentos para a tosse e remédios para resfriados que eles não deveriam usar. Os pesquisadores norte-americanos alertam que os efeitos colaterais do uso de medicamentos para tosse e resfriado em crianças podem incluir reações alérgicas, aumento da frequência cardíaca, sonolência ou insônia, respiração lenta e superficial, confusão ou alucinações, convulsões, náusea e constipação.
Como os resfriados se espalham por aí…
Resfriados são causados por vírus, que são organismos infecciosos extremamente pequenos (muito menores do que as bactérias). Um espirro ou tosse podem transferir diretamente um vírus de uma pessoa para outra. O vírus também pode ser transmitido indiretamente, da seguinte maneira:
1. A criança ou adulto infectado com o vírus, ao tossir, espirrar ou tocar o nariz faz a transferência de algumas das partículas de vírus para sua mão;
2. Ela então toca a mão de uma pessoa saudável;
3. Esta pessoa saudável leva a mão recém-contaminada ao próprio nariz, introduzindo assim o agente infeccioso no lugar onde ele pode se multiplicar e crescer: o nariz ou a garganta. Logo depois, os sintomas do resfriado começam a se desenvolver;
4. Este ciclo repete-se seguidamente, com o vírus sendo transferido desta criança ou adulto recém-infectado para o próximo susceptível, e assim por diante.
Sinais e sintomas de um resfriado
Uma vez que o vírus está presente e se multiplicando, a criança pode desenvolver os sintomas e sinais familiares:
• Corrimento nasal (em primeiro lugar, um corrimento claro, mais tarde, um mais grosso);
• Espirros;
• Febre moderada, em particular à noite;
• Diminuição do apetite;
• Dor de garganta e, talvez, dificuldade para engolir;
• Tosse;
• Irritabilidade;
• Gânglios um pouco inchados.
“Se a criança tem um resfriado comum, sem complicações, os sintomas devem desaparecer gradualmente entre cinco/sete dias”, explica o médico.
O tratamento do resfriado
Uma criança mais velha com um resfriado geralmente não precisa ir ao médico, a menos que a condição se torne mais grave. “Mas, se ela é mais novinha, ao primeiro sinal da doença, o pediatra precisa ser consultado. Com um bebê, os sintomas podem ser enganosos e o que parece ser um simples resfriado pode ser o princípio de doenças mais graves que podem evoluir rapidamente, como a bronquiolite, otites ou pneumonia viral”, recomenda Moises Chencinski.
Você deve entrar em contato com o pediatra se:
• As narinas estão se ampliando a cada respiração, a pele acima ou abaixo das costelas é sugada a cada respiração (retrações) ou se a criança está respirando rapidamente ou tendo qualquer dificuldade para respirar;
• Os lábios e as unhas ficarem azuis;
• O muco nasal persistir por mais de dez dias;
• A tosse simplesmente não vai embora (dura mais de uma semana);
• A criança tem dor de ouvido;
• A temperatura estiver acima de 37.7 graus Celsius;
• A criança apresenta-se excessivamente sonolenta ou irritadiça.
Chencinski destaca também que o pediatra pode desejar ver a criança caso ela não apresente melhoras diárias ou não esteja totalmente recuperada dentro de uma semana, desde o início da doença.
“Infelizmente, o tratamento do resfriado comum se resume a melhora das condições gerais e remédios para os sintomas. Antibióticos podem ser usados para combater infecções bacterianas, mas não têm efeito sobre o vírus, por isso o melhor que uma mãe pode fazer é oferecer conforto ao filho, para que ele se recupere. É preciso certificar-se de que a criança está repousando e ingerindo líquidos em quantidades apropriadas”, diz o pediatra.
É importante destacar que medicamentos de venda livre (OTC) para tosse e resfriado não devem ser dados a bebês e crianças menores de dois anos de idade devido ao risco de efeitos colaterais potencialmente fatais, sem que um pediatra seja consultado antes.
“Vários estudos mostram que medicamentos para resfriado e tosse não funcionam em crianças menores de seis anos e podem ter efeitos colaterais potencialmente graves. É preciso ter em mente que a tosse limpa o muco do trato respiratório, e normalmente, não há nenhuma razão para suprimi-la”, explica o pediatra.
Se a criança está tendo dificuldade para respirar ou ingerir líquidos por causa da congestão nasal, é recomendado limpar o nariz com soro fisiológico em gotas ou spray, que estão disponíveis para venda sem receita médica. “Nunca utilize gotas nasais que contenham qualquer medicamento, uma vez que quantidades excessivas podem ser absorvidas, trazendo efeitos colaterais indesejáveis importantes. Só use gotas nasais salinas normais recomendadas pelo pediatra”, diz o médico.
Colocar um umidificador no quarto também pode ajudar a manter as secreções nasais mais fluidas, proporcionando maior conforto à criança, mas o aparelho deve ser desligado após, no máximo, duas horas de uso.
“Deixe o umidificador perto da criança, mas por segurança, fora de seu alcance, de modo que ela receba o benefício integral da umidade adicional. Certifique-se de limpar e secar o umidificador completamente a cada uso para evitar a contaminação bacteriana ou mofo. Vaporizadores de água quente não são recomendados, pois podem causar queimaduras”, observa o pediatra Moises Chencinski.
Prevenção dos resfriados
“Uma forma de prevenir o resfriado é manter o bebê longe das pessoas resfriadas. Isto é especialmente verdadeiro durante o inverno, quando os vírus que causam essas doenças estão circulando em maior número. Um vírus que causa uma doença leve em uma criança maior ou em um adulto pode causar uma forma mais grave da doença em lactentes”, diz o médico.
Se a criança já está na creche e tem um resfriado, é preciso instruí-la a tossir e espirrar longe dos outros, além de usar um lencinho para tossir e limpar o nariz com regularidade. O uso do lenço é preferível a cobrir a boca com a mão ao espirrar e tossir, pois se o vírus ficar na mão da criança, ele pode ser transmitido para o que ela toca: um irmão, um amigo ou um brinquedo.
“Estas medidas podem evitar que o resfriado de uma criança se espalhe para outras. Ensinar as crianças a lavarem as mãos regularmente durante o dia também irá reduzir a propagação dos vírus. E, por fim, é bom lembrar que criança doente deve ficar em casa para se proteger e também para não correr o risco de contaminar outras crianças”, lembra Chencinski.
Dr. Moises Chencinski - CRM-SP 36.349 - PEDIATRIA - RQE Nº 37546 / HOMEOPATIA - RQE Nº 37545