Do site da Crescer
O pediatra e colunista da CRESCER dá as boas-vindas ao Novembro Roxo e explica por que o cuidado com o bebê prematuro vai muito além da alta hospitalar, além da mudança na data do Dia Mundial da Prematuridade
por Dr. Moises Chencinski - colunista
03/11/2026
Lá se vai o “Outubro Rosa”, mês dedicado à conscientização a respeito do câncer de mama e a importância de sua prevenção e diagnóstico precoce.
Segundo dados do INCA (2025), “para cada ano do triênio de 2023 a 2025, foram estimados 73.610 novos casos”. Vale lembrar que essa taxa era de 59.670 em 2018 e de 66.280 em 2022.
Um dos fatores relevantes na prevenção é a amamentação, reduzindo o risco dos quadros graves como o triplo-negativo (20%) e em portadores de mutações BRCA-1 (22-50%). Para tanto, ações como as que foram sugeridas em estudo publicado no Cancer Medicine (2022), no Reino Unido, devem ser levadas em conta para que se proteja, apoie e promova a amamentação:
“A expansão da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, leis mais rigorosas sobre a publicidade de fórmulas infantis e legislação de apoio às mães que amamentam no ambiente de trabalho têm o potencial de aumentar as taxas de aleitamento materno no Reino Unido”. (pode perfeitamente substituir por Brasil).
Podemos associar às ações de prevenção, entre outras, a atividade física regular, alimentação saudável, controle de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.
O diagnostico precoce, através de consultas regulares, exames de mamografia disponibilizados de forma mais uniforme e acessível, em todas as regiões do país, para todas as mulheres, conforme recomendação médica, favorecem, em muito a evolução e os riscos de morte associados ao câncer de mama.
Assim, é fundamental que o “Outubro” permaneça “Rosa” e que esse tom se espalhe e tinja todos os próximos meses, de todos os próximos anos, para que essa estatística possa ser modificada.
E aqui, nos despedindo desse outubro, damos boas-vindas a “Novembro’, que traz a força do seu tom “Roxo” em benefício de outro grupo que merece nossa atenção.
Atenção: Dia Mundial de Prematuridade está passando de 17 para 15 de novembro
O Dia Mundial da Prematuridade foi instituído em 2008 e celebrado pela primeira vez em 2009, inspirado pela esperança, resiliência e pela necessidade urgente de melhorar o cuidado e o apoio aos bebês prematuros e suas famílias
A prematuridade ainda é uma questão importante de saúde pública no Brasil e no mundo. Até 2025, a data representativa do Dia Mundial da Prematuridade, por toda a história e tradição, era o 17 de novembro. A OMS, a partir de 2026, decidiu transferir a data comemorativa para 15 de Novembro, para dar mais ênfase, visto que ela coincidia com o Dia Mundial da Eliminação de Câncer de Colo de Útero.
No Brasil, em setembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 15.198 que instituiu oficialmente o Novembro Roxo, a Semana da Prematuridade e o Dia Nacional da Prematuridade (17 de novembro). Por ser integrante da rede global da Global Foundation for the Care of Newborn Infants (GFCNI) e parceira de organizações internacionais que promovem o Dia Mundial da Prematuridade, a ONG Prematuridade.com “entende que a adoção de uma data comum fortalece a mobilização global, amplia a visibilidade da causa e potencializa o alcance das campanhas de conscientização em benefício dos mais de 15 milhões de bebês prematuros que nascem anualmente em todo o mundo.”
A ONG, então, apresentou o Projeto de Lei nº 3.195/2026, de autoria da deputada federal Silvia Cristina (RO), propondo a mudança do Dia Nacional da Prematuridade de 17 para 15 de novembro, em alinhamento com a agenda internacional, mas sem alterar a essência da lei ou das ações já consolidadas em todo opaís.
Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro.
Esse é o tema desse Novembro Roxo, o mês que destaca e reforça, além da importância do cuidado com o prematuro desde o parto, passando pelo período variável de internação hospitalar, geralmente em UTI neonatal, o foco no acompanhamento após a alta hospitalar.
Essa proposta segue as recomendações da OMS que pontua, conforme ressalta a ONG Prematuridade.com, que “muitos bebês prematuros continuam enfrentando riscos importantes após deixarem o hospital. Enquanto alguns podem apresentar desafios relacionados ao desenvolvimento, à alimentação, à visão, à audição, à respiração ou ao aprendizado, outros podem necessitar de intervenções precoces para prevenir ou minimizar complicações futuras ou permanentes.”
Nossa realidade mostra que essa atenção não é homogênea e acessível a todos os prematuros e suas famílias, em todos os lugares e requerem ações de políticas públicas, gestão, da sociedade civil, de profissionais de saúde para uma redução dessas desigualdades e para que cada prematuro consiga alcançar todo o seu potencial.
Continua sendo necessário reforçar a importância do leite humano para a nutrição, proteção imunológica, crescimento e desenvolvimento de todos os prematuros, quer seja oferecido pelas próprias mães, à beira dos leitos, quer seja pela ação da Rede de Bancos de Leite Humano (Rede BLH-Brasil) que coleta, analisa, processa e distribui o leite doado para os bebês que estão internados.
Viemos do AGOSTO DOURADO pela amamentação e tudo o que ela representa (e é a base de tudo), passamos pelo SETEMBRO AMARELO conscientizando e prevenindo o suicídio, atravessamos o OUTUBRO ROSA com prevenção e diagnóstico precoce para diminuir as taxas de câncer de mama e chegamos ao NOVEMBRO ROXO, investindo no prematuro desde o parto até o pós-alta, pelo futuro de todos.
“Cada um é responsável por todos.”
Frase atribuída a Antoine de Saint-Exupéry (isso, aquele do Pequeno Príncipe).
Dr. Moises Chencinski - CRM-SP 36.349 - PEDIATRIA - RQE Nº 37546 / HOMEOPATIA - RQE Nº 37545